Geopolítica comercial chinesa é uma no cravo e outra na ferradura, sai carne australiana, entra americana

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Sai a carne australiana, entra mais a americana, e a China não deixa de recompor seus estoques (Imagem: Reuters/Carlos Garcia Rawlins)

Quando se trata de se defender comercialmente, a China esquece a geopolítica. Ou, melhor, dá uma no cravo e outra na ferradura em nome do pragmatismo comercial milenar.

O exemplo mais acabado é que enquanto foi diminuindo suas importações de carne bovina da Austrália, foi aumentando as compras do produto dos Estados Unidos.

Pequim tenta punir os australianos, que abriu investigação contra a origem do coronavírus na China, certamente sob influência desde ainda o governo Trump, e agora entra na disputa quanto ao domínio marítimo e territorial na região Indo-Pacífico. Os EUA e a Grã-Bretanha vão armar a Austrália com submarinos nucleares.

Retalia o mentorado, mas não o mentor, porque precisa da carne dele para compor as necessidades da população, sem aumentar mais ainda a dependência do Brasil. E carne mais cara que a dos outros dois.

Até julho, as compras originadas nos EUA cresceram 1.000% sobre o mesmo período de 2020. E no acumulado até setembro está chegando a 140 mil toneladas, sem contar Hong Kong, segundo dados do USDA compilados pelas mídias americanas especializadas, como o The Cattle Site.

E de janeiro a agosto, os australianos perderam metade das exportações consolidadas nos mesmos oito meses do ano passado. Ficaram em 96 mil/t.

Os frigoríficos americanos já são os principais fornecedores de carne de boi criado a grãos, em confinamento.

E se houver problemas de abastecimento no mercado local, encarecendo a carne a partir da diminuição do rebanho – como o governo já alertou -, os americanos manobram muito bem seu pragmatismo comercial, adquirindo mais do Brasil. A Marfrig (MRFG3), inclusive, está com mais duas novas plantas habilitadas exportando para lá.

Enquanto isso, a China não deixa seus estoques estratégicos diminuírem e, inclusive, se dando ao luxo de paralisar as compras do Brasil há quase um mês, depois do embargo originado pelos casos de vaca louca.

FONTE: MONEY TIMES

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